5 maio 2026 - 10:28
O Papel das Mulheres Libanesas na Realização da Autorização Divina e na Derrota do Mito Sionista

Nos versículos do Alcorão, as promessas divinas estão condicionadas a certos requisitos. Quando esses requisitos são cumpridos, a Sunnah (lei) de Allah entra em ação. O versículo nobre “Quantas vezes um pequeno grupo venceu um grande grupo pela autorização de Allah!” (Al-Baqarah: 249) apresenta um princípio estratégico no campo do confronto entre o bem e o mal. Mas como esta “autorização divina” se manifesta na terra? A resposta está no coração das famílias da Resistência no sul do Líbano: mulheres crentes e pacientes, que, mesmo em meio à pobreza e sob bombardeios, fortaleceram de tal forma a fé nos corações de seus maridos que estes entravam no campo de batalha com total tranquilidade, sem nenhuma preocupação com a retaguarda. Este jihad feminino é o elo perdido para compreender como a autorização divina se concretizou nas vitórias do Hezbollah contra as superpotências que apoiam Israel.

Agência Internacional Ahlul Bayt (ABNA): A história da Resistência Islâmica no Líbano, além dos atos heroicos dos homens na linha de frente, deve muito ao sacrifício silencioso de mulheres que, sem alarde, construíram os alicerces de fé e psicológicos desta luta.

Quando analisamos a vitória do Hezbollah em expulsar Israel do sul do Líbano em 2000 e, posteriormente, a resistência milagrosa na Guerra de 33 Dias, os olhares geralmente se voltam apenas para o poderio militar e organizacional da Resistência. Porém, a pergunta fundamental é: como aquela “autorização divina” mencionada no Alcorão — o segredo da vitória de um grupo pequeno sobre um grupo grande — se realizou neste confronto histórico?

As mulheres libanesas, através de um jihad da espécie fortalecimento da crença, preservação da tranquilidade e criação de estabilidade psicológica para seus maridos mujahidin, tornaram-se o canal de realização desta promessa corânica. A ausência deste elemento na Síria foi um dos motivos do insucesso da Resistência naquele front.


Conceituação de “Autorização Divina”: Da Promessa Oculta à Lei Prática no Alcorão

A palavra “Idhn” (autorização) não significa apenas um comando criacional, mas sim uma abertura e permissão divina para que o socorro invisível flua por meio das causas terrenas. Allah, na Surata Al-Baqarah, considera vitoriosos Talut e seus companheiros “pela autorização de Allah”. Na Surata Aal-e Imran, também condiciona a vitória de Badr à Sua autorização.

Grandes comentadores como Allamah Tabataba’i afirmaram que a “Idhn Allah” é uma lei divina que possui condições: paciência, piedade, firmeza e, acima de tudo, a verdadeira tawakkul (confiança absoluta em Allah). Mas como se forma esta tawakkul verdadeira no coração de um combatente para que ele possa pisar no perigo com serenidade?

É aqui que o papel da mulher como “alma tranquila” (Nafs-e Mutma’innah) da família e apoio psicológico do homem se torna vital.


As Mulheres do Líbano: Mujahidin Silenciosas da Retaguarda

Nas vilas do sul do Líbano, de Bint Jbeil a Maroun al-Ras, as mulheres xiitas carregaram o maior jihad com os menores recursos materiais: o jihad da manutenção e fortalecimento da fé. Estas mulheres, que viviam na pobreza e privação, não apenas não impediram seus maridos de irem para o campo de batalha, como os equipavam com as próprias mãos. Na hora da despedida, em vez de lágrimas e lamentações, entoavam takbir e salawat, fortalecendo o espírito deles.

Uma mãe que ninava o filho mártir com a canção de ninar “Parabéns pela sua shahada”, uma esposa que carregava com altivez o corpo despedaçado do marido no funeral — estas imagens garantiam que os homens no front não tivessem nenhuma preocupação com o destino de suas famílias.

Quando um combatente do Hezbollah, nas profundezas das trincheiras fronteiriças, sabia que sua esposa carregava o peso da vida com fé completa e, em sua ausência, não apenas não desmoronava como educava os filhos para continuar o caminho, nenhuma dúvida entrava em seu coração. Esta certeza e tranquilidade eram exatamente a condição para a realização da autorização divina.


Tranquilidade (Tuma’nina): O Maior Capital do Combatente da Resistência

Imam Ali (a.s.) disse: “O jihad é uma das portas do Paraíso que Allah abriu para Seus amigos especiais.” Mas para entrar por esta porta é necessária aquela paz interior que o Alcorão chama de “Tuma’nina”. Um combatente que estiver preocupado com a família, com o sustento ou com o estado emocional de sua esposa não consegue entrar na batalha com total concentração e firmeza espiritual.

As mulheres libanesas, com seu sacrifício, retiraram este peso dos ombros dos homens. Na Guerra de 33 Dias, enquanto Beirute e o sul estavam sob os bombardeios mais intensos, as mulheres da Resistência, em vez de fugir, permaneceram ao lado dos homens: assando pão, cuidando dos feridos e transmitindo mensagens. Elas se tornaram, na prática, membros desarmados desta batalha.

Esta imagem de participação feminina integral dissolvia o homem em sua própria fé, fazendo-o ver a morte não como fim, mas como começo.


Comparação com a Síria: Por que a Autorização Divina Não se Realizou Lá?

Em contraste, na crise da Síria, apesar dos esforços da Frente da Resistência, aquela coesão de fé e psicológica que vimos no Líbano não se repetiu. Um dos fatores chave desta diferença foi a incapacidade de uma parte significativa das mulheres sírias de desempenhar o mesmo papel das mulheres libanesas.

Enquanto a Resistência precisava de apoio psicológico e de fé contínuo, muitas mulheres sírias, influenciadas pela mídia, pelo medo, por boatos e, às vezes, por subornos de correntes opositoras, em vez de fortalecerem o ânimo de seus maridos, tornaram-se fator de enfraquecimento.

Quando uma mulher pede ao marido que abandone o campo de batalha, ou com preocupações constantes de subsistência desvia o foco dele do jihad para o ganha-pão, ela, na prática, para as engrenagens da realização da autorização divina. Comandantes da Resistência relataram repetidamente que um dos principais problemas em algumas regiões da Síria foi a falta de “apoio suave” das famílias, o que causava desgaste moral nos combatentes.

A mulher libanesa, com a certeza na promessa divina de sustento e vitória, libertava seu marido dos laços mundanos. Já a mulher síria, com preocupações não resolvidas, o mantinha preso à terra.


Jihad de um Pequeno Grupo com Recursos Escassos: O Modelo Corânico do Líbano

A mulher libanesa, com os menores recursos materiais, obteve o maior jihad. Nos campos de refugiados pobres da Dahieh, mulheres que às vezes nem tinham pão para a noite da família, com base na fé que carregavam no peito, impediram que a pobreza fizesse seus maridos abandonarem o campo de batalha.

Elas, na prática, completaram o conceito de “pequeno grupo” no versículo: “Quantas vezes um pequeno grupo venceu um grande grupo pela autorização de Allah!” Um pequeno grupo de mulheres crentes, de mãos vazias mas com corações cheios de certeza, tornou-se o apoio de um pequeno grupo de homens mujahidin. Esta sinergia de fé foi a clara manifestação de “bi idhnillah”, pois Allah faz descer Sua vitória sobre corações tranquilos e passos firmes.

Quando Hazrat Zaynab (s.a.) em Karbala disse: “Não vi senão beleza”, esta frase não foi apenas um relato, mas uma estratégia de jihad feminino que as mulheres libanesas herdaram dignamente e levaram de Karbala para o sul do Líbano.


A autorização divina prometida no Alcorão não é um dom gratuito e sem contas dado a qualquer um que reivindique resistência. Esta autorização é a recompensa daqueles que, com seu jihad silencioso dentro de casa, encheram os corações dos homens de tal fé e tranquilidade que, no campo de batalha, não pensavam em nada além de cumprir o dever divino.

As mulheres libanesas, com o sacrifício e abnegação que brotavam da profundidade de suas crenças, tranquilizaram seus maridos na retaguarda e os enviaram ao campo com completa paz interior. Esta tranquilidade foi o espírito da autorização divina que permitiu que o pequeno grupo do Hezbollah derrotasse a enorme máquina militar sionista e seus apoiadores.

Onde as mulheres se mantiveram firmes como Zaynab no pacto com a verdade, a Resistência triunfou. Onde esta base se enfraqueceu, a Resistência sofreu danos. A lição do Líbano para todo o Eixo da Resistência é clara: a realização das promessas divinas começa nas vielas da Dahieh e nas vilas do sul, vem do coração de mulheres que são o pilar fundamental desta luta.

Zahra Salehi Far Especialista em Alcorão e Hadith Mestranda em Gestão de Mídia pela Universidade Baqir al-Olum


Referências

  1. Tafsir al-Mizan, Allamah Muhammad Hussein Tabataba’i, vol. 2, p. 183.
  2. Sermão 28, Nahj al-Balagha.
  3. Versículo 249 da Surata Al-Baqarah.

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